|
Início » Informação » Notícias de 2009 Notícias de 2009 |
|
|||
|
VOLUNTARIADO E ONGS: DUAS REALIDADES RELACIONADAS.
"Tive sorte de encontrar nos Médicos do Mundo, uma ONG moderna, com a visão estratégica de saber que para cada função é necessário um perfil específico e que cada voluntário deve fazer o seu percurso para ir ao encontro das suas necessidades, enquadradas nos objectivos comuns.", por Luís Neto Raposo-Responsável de Compliance e Controlo Interno no Banco Primus Voluntário de MdM Portugal. É sempre bom receber um telefonema de uma amiga. Foi com este espírito que falei com a Florbela Cordeiro, da ONG Médicos do Mundo, que me desafiou a escrever umas palavras sobre o voluntariado e o modo como este vasto conceito se relaciona com as ONGs. Como orientação apenas referiu um: "Tu sabes!". Tenho participado, como voluntário, em vários projectos e consequentemente em várias causas, o que me tem permitido observar e reflectir sobre o papel do voluntário, das ONGs e reparado como, de meros conceitos, se transformam em realidades, em entidades relacionadas, que podem ser díspares e complementares. Longe vão os tempos, ou pelo menos quero acreditar, em que o voluntariado era apenas encarado como uma actividade exclusivamente altruísta e despojada de qualquer individualidade. Este erro no modo de entender o voluntariado, afastou grande parte dos potenciais voluntários, intimidados pela suposta "candura" necessária para participarem nos projectos promovidos pelas ONGs de então. Deste modo, ficaram sem campo de intervenção, pessoas singulares ou colectivas - estas últimas interessadas em acções de cooperação empresarial (a este propósito não posso deixar de fazer uma referência ao recém criado Clube500, Clube de Responsabilidade Social, que procura ser pioneiro neste conceito). E era bem verdade que as ONGs, ao invés de profissionalizarem os voluntários (e a si mesmas), preferiam "julgar" a sua postura e enquadrá-los no modo como entendiam a sua participação, à sua imagem, num acto discriminatório irreflectido, já que não haviam requisitos objectivos e a troca entre players era ignorada (dar entre as partes na medida em que se recebe, base de uma postura igualitária). Tudo isto à custa dos resultados dos projectos que, com esta visão, ficam necessariamente aquém das possibilidades. Actualmente o modo de entender o voluntariado, por voluntários e ONGs, evoluiu, sem perder alguns dos pilares que sempre o nortearam e nortearão, como a disponibilidade para as grandes causas sociais (entendidas de modo alargado, ambientais, de saúde, entre outras) ou formação sã necessária para a entrega às mesmas. Ainda bem! No entanto, hoje o voluntariado acompanha a sociedade. É democratizado (todos podem ser voluntários), globalizado (os projectos estão para além das fronteiras) e profissionalizado (competências pessoais e técnicas são uma preocupação e um requisito). As razões são várias e vão das novas tecnologias da comunicação, ao aumento da escolaridade. Quando me candidato ou me convidam para integrar um projecto, como voluntário, penso sempre naquilo que lhe posso acrescentar, mas também no que me pode acrescentar a mim. Foi assim que, por exemplo, cheguei a São Tomé, integrado numa missão de combate à Cólera (e não sou médico). Pensei na oportunidade, desafio pessoal e profissional que seria assumir o cargo de Administrador de Projecto de uma equipa com cerca de 20 pessoas, tratar da logística, do reporting estatístico, da execução orçamental, entre tantas outras coisas. Ganhei pessoalmente. Ganhei profissionalmente e cheguei a Portugal com várias competências técnicas que não tinha, pelo que considero que a minha participação foi também uma formação contínua, válida no meu presente e futuro profissional. Não me choca que um voluntário não participe numa actividade que considere não lhe acrescentar nada. Não terá certamente bons resultados na sua acção. Tive sorte de encontrar nos Médicos do Mundo, uma ONG moderna, com a visão estratégica de saber que para cada função é necessário um perfil específico e que cada voluntário deve fazer o seu percurso para ir ao encontro das suas necessidades, enquadradas nos objectivos comuns. Só isso permite que os voluntários retirem dos projectos pelo menos a medida do que devem dar, o máximo. Podem existir assim, dentro de uma ONG, muitos micro projectos individuais desejáveis desde que todos ganhem. Existe esse espaço plural. E é deste espaço que resulta um sucesso a vários níveis, de voluntários e ONGs. Luís Neto Raposo publicado em: |
||||