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China 2007 - Situação Económica Janeiro 2008
O NBS – National Bureau of Statistics do governo chinês a 10 de Abril de 2008, uma revisão dos valores do PIB para 2006 e 2007, tendo ambos registado um aumento de cinco pontos percentuais relativamente ao inicialmente anunciado. Assim, em 2006, o valor do PIB foi de US$ 3,02 triliões com uma taxa de crescimento de 11,6% relativamente a 2005 e em 2007 o crescimento económico na China continuou forte, tendo este valore atingido um US$ 3,5 triliões, com uma taxa de crescimento de 11,9%, assiste-se, portanto, ao quinto ano consecutivo de crescimento a dois dígitos. Situação Económica em 2007
Como resultado da rápida expansão da China, o crescimento económico global em termos de Purchasing Power Parity em 2007, foi de 4,8%. De acordo com o Fundo Monetário Internacional, a China contribuiu em 2007, mais que qualquer outro país do mundo para o crescimento da economia global.
De acordo com a Academia Chinesa das Ciências Sociais, o rendimento per capita cresceu US$200 anualmente nos últimos dois anos, situando-se em US$2200 em 2007, o valor referido pelo Economist para este indicador nesse ano é de US$2450. A previsão da Academia são de que este valor atingirá US$3000 em 2010, uma década antes dos objectivos fixados no Congresso do partido Comunista Chinês em 2002, prevê ainda que se os ritmos de crescimento se mantiverem este valor seja de US$6000 em 2020. O Banco da China prevê que o crescimento económico chinês seja de 10,5% em 2008, o relatório World Economic Situation and Prospects 2008 das Nações Unidas refere que este crescimento deverá ser de 10%, o Banco Asiático de Desenvolvimento refere também este valor para o crescimento da China em 2008 prevê que 2009 se verifique um aumento de 9,8%, e o Economist Intelligence Unit, prevê nesse ano o crescimento ficará nos 9,8% e em 2009 descerá para 9%. No entanto, o relatório das Nações Unidas considera que se poderá verificar um cenário pessimista de recessão nos EUA, que afectará a economia chinesa, que nesse cenário crescerá apenas 8% em 2008.
O governo chinês receia que a crise nos EUA, contribua para diminuir o excedente comercial, diminuindo o fluxo de liquidez no sistema financeiro chinês. Existe o risco de aumento das taxas de juro com efeitos negativos no crédito, no investimento privado e na procura interna.
De qualquer forma, em qualquer das análises disponíveis, o investimento, permanecerá o maior motor de crescimento do crescimento económico. Em 2007, a Formação Bruta de Capital Fixo continuou alta, com ritmo de crescimento de 24,8%, mais 0,9 pontos percentuais do que em 2006. No entanto, o consumo privado e público deverão contribuir relativamente mais para o crescimento económico do que até 2007, uma vez que as exportações o grande motor de crescimento económico durante todos estes anos, desde 1978, deverão crescer menos, devido ao enfraquecimento previsto da procura internacional, especialmente devido à diminuição da procura americana que foi o principal comprador da China até 2008, aos ajustamentos no sistema das taxas de desconto do valor acrescentado das exportações, à apreciação do Yuan e ao aumento dos custos dos terrenos e do trabalho.
De acordo com o referido relatório das Nações Unidas, o comércio da China com o resto do mundo tem crescido com três vezes mais rapidez que o crescimento do comércio mundial, desde à adesão da China à OMC em 2001, se esta tendência se mantiver a economia chinesa será a maior economia exportadora do mundo em 2009, com efeitos dinamizadores em outras economias de países em vias de desenvolvimento. Uma vez que nos últimos anos o aumento da procura chinesa devida à sua rápida industrialização tem sustido em alta o preço das commodities que esses países exportam. Por exemplo a procura de cobre aumento mais de 100%, os óleos vegetais 80%, o ferro mais de 40%, etc. A China também tem, além disso, fomentado a cooperação económica com muitos desses países produtores de matérias primas, investindo com investimento directo estrangeiro e realizando parcerias para assistência económica, por exemplo apoiando financeiramente o investimento das empresas chinesas nos países da ASEAN, criando um Fundo de Desenvolvimento China-África etc. A ajuda chinesa a estes espaços económicos tem tido por alvo especialmente sectores como a energia, telecomunicações e infra-estruturas de transportes.
Estima-se, que em 2007, o saldo da Balança de Pagamentos Corrente, tenha aumentado para US$375,8 biliões, largamente em parte pelo excedente da Balança Comercial, que aumento devido ao aumento significativo das exportações e ao crescimento mais modesto das importações. O saldo da Balança Comercial foi de US$262 biliões.
As exportações de mercadorias registaram US$1218 biliões, a que corresponde um acréscimo de 26% relativamente ao ano anterior e as importação situaram-se em US$ 956 biliões, mais 21% do que em 2006.
Em 2007, as principais exportações foram, maquinaria e equipamento de transporte (47%), produtos da indústria ligeira (18%), produtos químicos e relacionados (4%), produtos alimentares (3%), petróleo e lubrificantes (2%). As principais importações foram maquinaria e equipamento de transporte (43%), matérias primas, com excepção do petróleo (12%), produtos químicos e relacionados (11%), petróleo e lubrificantes (11%), produtos da indústria ligeira (10%).
As empresas com capital estrangeiro, há muito que dominam o comércio internacional na China, sendo responsáveis em 2007 por 57% das exportações e 59% das importações, em 2006 estas percentagens foram respectivamente 58% e 60%, o que pode indiciar um início de uma participação mais activa das empresas chinesas sem capital estrangeiro.
Os EUA continuaram a ser em 2007, o país que individualmente mais comprou à China cerca de 19% do total. Os networks de produção na Ásia onde a China e o seu estádio final, justificam que o comércio intra-Asian represente cerca de 55% do total do comércio externo chinês. O Japão é o terceiro maior comprador da China e o principal fornecedor com cerca de 14% do total do total importado pelo mercado chinês. O segundo maior comprador da China é Hong Kong e o segundo fornecedor a Coreia do Sul, com cerca de 10,8% do total importado, seguido de Taiwan com 10,6% dos fornecimentos.
As autoridades chinesas contabilizam como exportações, todo o volume de bens que são transportados para o território de Hong Kong, mas que se destina a ser reexportado, o mesmo acontecendo com uma grande percentagem das importações provenientes deste território e que de facto são importações com várias origens no mundo, que utilizam o território como entreposto comercial e logístico.
No entanto, se considerarmos não países individuais, mas espaços económicos integrados, a União Europeia, é presentemente o maior parceiro comercial da China, ultrapassando os EUA e o Japão.
O comércio no retalho verificou em 2007, um crescimento de 16,8%, um ritmo mais rápido em 2006, em 3,1 pontos percentuais. Isto reflecte os aumentos salariais na ordem de 8% em média em toda a China, que por sua vez se devem a um aumento de procura de trabalhadores, mas também ao aumento de produtividade que se situa à volta de 20% ao ano, o que leva que este aumento salarial, altamente benéfico em termos de melhoria do nível de vida e poder de compra dos trabalhadores, não coloca em risco a competitividade externa dos produtos fabricados na China. Assiste-se a uma explosão da classe de baixo-médio rendimento (US$ 4000-US$12000), hoje em dia cerca de 100 milhões de pessoas, mas com estes níveis de crescimento em 2020 deverão de acordo com várias previsões das consultoras internacionais mais reputadas situar-se à volta dos 500 milhões. Ao mesmo tempo assiste-se ao aumento da classe média-alta (rendimentos superiores a US$ 12000,) que presentemente, é de cerca de 10 milhões e de acordo com as mesmas fontes em 2020 deverá ser de 70 a 100 milhões. A acompanhar este movimento o investimento no sector imobiliário urbano cresceu 30% em 2007.
Em 2007 a inflação atingiu 4,8% e a National Development and Reform Commission (Comissão de Planeamento do Governo) fixou como objectivo para 2008, 4,6%. A taxa de inflação de 2007, foi justificada sobretudo pelo aumento dos preços dos produtos alimentares, particularmente carne de porco e ovos. Em 2006 este valor tinha sido de 2,8%.
No sector bancário continua o predomínio dos 4 grandes bancos (People´s Bank of China- PBC, Bank of China-BOC, China Construction Bank –CCB e Industrial and Commercial Bank of China – ICBC) que registaram 50% dos activos bancários em 2007. Historicamente destes bancos têm enfrentado muitas dificuldades em termos de créditos a fundo perdido (em 2004, cerca de US$ 500 biliões – 45% dos seus empréstimos), obstáculos burocráticos e corrupção. Apesar da intervenção governamental continuar em termos de decisão de créditos, quer a nível local quer nacional, o grau de interferência tem vindo a diminuir. O governo tem vindo a recapitalizar os bancos estatais com grandes injecções de fundos, no total cerca de US$ 350 biliões de crédito mal parado foram retirados dos balanços bancários. A mais recente injecção ocorreu no fim de 2007, quando o recentemente criado Sovereign Wealth Fund – China Investment Corporation (CIC) investiu US$ 20 biliões noutro banco estatal o China Development Bank. Também em 2007 o Bank of Communications foi promovido a banco governamental comercial e o China Post recebeu autorização para realizar operações bancárias.
As reservas em divisas estrangeiras (excluindo o ouro) eram de US$53,6 biliões em 1994 e têm crescido todos os anos devido à grande acumulação de divisas resultante dos excedentes da balança comercial, dos elevados fluxos de IDE, que em 2007 foi de US$82,7 biliões mais 19% do que em 2006, e dos fluxos financeiros especulativos. Em 2007 o valor dessas reservas foi de US$1474 biliões. As aplicações deste fundo têm sido altamente controversas na China, tradicionalmente a serem feitas em Títulos de Tesouro Americano, discute-se se elas não deveriam, ser utilizadas no sistema de saúde e de segurança social, na recuperação dos bancos estatais, ou aproveitados para reforçar a posição das empresas chinesas no exterior através de aquisições de empresas estrategicamente posicionadas em termos financeiros, de marketing e de tecnologia. De facto, essas soluções começam já a ser todas praticadas. Como já vimos, o recentemente criado Sovereign Wealth Fund – China Investment Corporation (CIC), está a participar na recuperação da saúde financeira da banca chinesa, mas em 2007 comprou 10% da empresa financeira americana Blackstone e 9% do banco americano Morgan Stanley. Também em 2007 o Industrial and commercial Bank of China comprou 20% do Standard Bank of South Africa.
Em 2007, a China começou um ciclo de inaugurações de infra-estruturas de transportes, desportivas, turísticas e culturais verdadeiramente impressionantes, que irão deslumbrar o mundo se nada de negativo acontecer em áreas políticas e sociais. Referimos, por exemplo, do novo terminal 3 do aeroporto de Pequim, o maior do mundo, desenhado pela empresa de Norman Foster, com 3,6 Km de comprimento e capacidade para 50 milhões de passageiros em 2020. Mas não só em Pequim estas infra-estruturas estão a ser inauguradas, como por exemplo entre outras, maior ponte do mundo deverá abrir em Junho, com 36 Km e 6 faixas de rodagem, atravessa a Baia de Hangzhou e liga os Portos de Shanghai e Ningbo em duas horas, ou a ponte de Donghai que liga Shanghai ao Porto de Yanshan, que está a ser construído em 2 ilhas flutuantes, e será um dos maiores portos do mundo quando estiver concluído em 2010.
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