|
China 2006 - Situação Económica Janeiro 2007
A China festejou no dia 11 de Dezembro 2006, cinco anos da sua adesão à OMC (Organização Mundial de Comércio) e a sua integração na economia mundial.
A economia chinesa cresceu cerca de 10,7 % em 2006, enquanto em 2005 tinha crescido 10,4%. Situação Económica em 2006 O rendimento disponível per capita cresceu 12,1% para os residentes urbanos e 10,2% para os rurais relativamente a 2005, situando-se a média nacional em US$2043, de acordo com indicadores do EIU, Março 2007.
O aumento do crescimento do PIB continua a ser explicado pelo aumento da exportação e do investimento. A preocupação do governo chinês é que o rápido crescimento do investimento tem levado a uma capacidade excedentária em muitos sectores, nomeadamente, na indústria, o que tem efeitos negativos nos lucros, devido ao aumento da concorrência, e a uma diminuição dos terrenos agrícolas que são alvo de projectos de urbanização. O sector industrial é responsável por cerca de 50% do PIB tendo crescido 18,3% em 2006, enquanto os serviços cresceram 12,7% e a agricultura 8,7%.
O governo chinês tem de arrefecer a economia, mas receia que as medidas que deverá tomar para o fazer tenham efeitos negativos no consumo, variável cuja o crescimento é uma das suas prioridades. Por exemplo, a investigação e punição da corrupção podem afectar a indústria do imobiliário e a descida dos preços no imobiliário podem afectar a confiança do consumidor.
A inflação é baixa, estima-se em 2,8 em 2006. A inflação apesar de baixa é superior a 2005 (1,3%), o que é explicado pelo aumento dos preços internacionais dos cereais e colheitas pobres na China, para além disso o preço das casas, serviços públicos, educação e serviços estão a crescer.
Em 2006, em termos de Despesa, o investimento foi o principal motor da economia tendo a Formação Bruta de Capital Fixo crescido, em valor, 24,5%. A formação do capital fixo urbano representa 86% do total do investimento. O saldo da balança comercial cresceu 74% relativamente a 2005, tendo atingido US$ 177,5 biliões.
A expansão das trocas comerciais com o resto do mundo significa, para a economia chinesa, uma interdependência acrescida da procura global.
O Investimento Directo Estrangeiro foi de US$ 69,6 biliões, um valor que representa um crescimento de 15,3% relativamente a 2005.
Como consequência do superavit comercial e do investimento estrangeiro, a China acumulou, em 2006, reservas em divisas estrangeiras no valor de USD$1075,6 biliões, cerca de mais 25% do que em 2005. Estas reservas estão em grande parte aplicadas nos títulos de tesouro americanos assim como investimentos estratégicos da China no estrangeiro, sobretudo em fontes de energia assim como na ajuda ao desenvolvimento de regiões ricas em recursos naturais.
O valor do comércio externo chinês atingiu o maior valor anual de sempre US$1,76 triliões, mais 23,8% que em 2005, com as exportações a crescerem 27,2%, tendo atingido o valor de US$969,1 biliões e as importações a crescerem 20% para um valor de US$791,6 biliões.
Os três principais parceiros comerciais da China, em 2006, foram a UE, Japão e EUA. O comércio entre a China e a UE foi o mais importante dos três e atingiu US$272,3 biliões ou cerca de 15,5% do total do comércio da China. O saldo comercial a favor da China cresceu, em 2006, com as exportações da China para a UE a crescerem 26,6% para um valor de US182 biliões, enquanto as importações da China da UE cresceram apenas 22,7% para um valor de US$90,3 biliões. O governo chinês refere, no entanto que 95% deste déficit é feito em operações de processing trade e 81% feito por FIEs (Foreign Invested Enterprises ) da UE na China. De acordo com as estatísticas da UE a China substituiu os EUA como principal fonte das suas importações.
Os principais destinos das exportações da China foram por país, os EUA (21%), Hong Kong (16%), Japão (9,5%) e Coreia do Sul (4,6%) e as principais origens das importações foram o Japão (14,6%), Coreia do Sul (11,3%), Taiwan (11,0%) e EUA (7,5%). No comércio entre a China e a UE destaca-se como país a Alemanha que importa cerca de 4,2% das exportações da China e fornece 4,8% das suas importações.
De referir, a importância política do desenvolvimento das relações comerciais entre a China e a África bem evidentes no Summit China-Africa Co-Operation, realizado em Beijing em Novembro de 2006 que contou com 48 países africanos e 35 Chefes de Estado, o Summit estabeleceu um sistema de tarifas preferencial da China com estes países e fundos de investimento e créditos à exportação, no valor de US$5 biliões. O comércio entre a China e a África cresceu cerca de 39,6% para um valor de US$55,5 biliões.
A composição das exportações da China, em 2006, mostrou uma tendência crescente na venda de produtos electrónicos, que cresceram 32% relativamente a 2005, para um valor de US$227,4 biliões, esta foi a principal categoria de produtos exportados com 23,5% do total. De facto, a China lidera o mercado mundial de produtos electrónicos, empregando um terço dos trabalhadores a nível mundial, de acordo com a OIT (Organização Mundial do Trabalho). As exportações de têxteis e confecções, também, cresceram significativamente, cerca de 28,3% para um valor de US$138,1 biliões. Apesar das restrições aplicadas pela EU, a venda global do sector de calçado, também, aumentou tendo crescido 14,5%, tendo registado um valor de US$21,8 biliões.
Os principais produtos exportados pela China, em 2006, foram máquinas de escritório e equipamentos para processamento de dados (13,8%), equipamento de telecomunicações (12,7%), maquinaria eléctrica (10,4%) e confecções (9,8%). Os equipamentos eléctricos e mecânicos continuaram a dominar as importações em 2006, devido ao processing trade, com um valor de US$328,2 biliões, estes produtos foram responsáveis por 41,5% das importações. Contudo, a categoria de produtos que mostrou maior crescimento foram os veículos, a importação de aviões cresceu 66% e a de automóveis e camiões 38,5%.
As principais importações foram maquinaria eléctrica (22%), petróleo e produtos derivados (10,5%), instrumentos profissionais e científicos (6,1%), minérios (5,5%), máquinas de escritório e equipamentos para processamento de dados (5,1%). O comércio internacional continua fortemente dominado pelas empresas com capital estrangeiro que são responsáveis por 58% das exportações da China e 60% das importações. Em certos sectores, estes valores são ainda mais impressionantes por exemplo, 80% das exportações de software são feitas pelas FIEs e cerca de 60% destas exportações são absorvidas pelo mercado japonês.
O consumo interno também cresceu embora de uma forma muito mais modesta que o investimento e as exportações, as vendas a retalho cresceram 13,7%, demonstrando um ligeiro aumento relativamente a 2005.
Neste sector, segue-se com atenção a aquisição por parte da Wal-Mart da cadeia Trust Mart de Taiwan por cerca de US$1 bilião, esta cadeia tem, na China, mais de100 lojas incluindo franchisados em 20 províncias. Esta operação fortalecerá a presença no mercado chinês da Wal-Mart, que ganhará à Carrefour a liderança no retalho pertencente a empresas estrangeiras. A Wal-Mart compra à China, por ano, cerca de US$13,6 biliões e cerca de 80% dos fornecedores da Wal-Mart em todo o mundo compram na China.
A procura de veículos, incluindo camiões e autocarros continua a ser elevada tendo crescido 25,1% relativamente a 2006 e situando-se, de acordo, com a China Association of Automobiles Manufacturers em 7,2 milhões de unidades (segundo local no mundo a seguir aos EUA) sendo o número de carros de passageiros 3,8 milhões de unidades. A China irá implementar, em meados de 2008, um imposto de 25% sobre os veículos que tenham incorporação de partes importadas superior a 60%.
De acordo com a China Internet Network Information Centre, no final de 2006, a China tinha 137 milhões de utilizadores de Internet com cerca de 104 milhões em banda larga, o que revela um crescimento de 23,4% relativamente a 2005 e a coloca como o segundo mercado do mundo para este produto.
|